uma espécie de comoção húmida
o terreno charco lodo da vida antiga
o pouco espaço de um mergulho correnteza
a falta de acção
contrapostas pontualidades longas sem alma
conspurcação reactiva
o súbito céu, por entre o nublado que se rompe em choro
um sumário de tema perdido,
uma noite sem tema
a apenas meia dor dos farrapos embebidos em clorofórmio
uma noite ébria de vazio
a apenas meia dor dos farrapos secos de emoção
a meia dor de já só poder ser meia
a dor da lembrança ser na verdade o esquecimento
a reinvenção que dita o difuso espectro entre neurónios
e tilinta nas suas arestas desafinadas
perdido que está o sentido,
a emoção da verdade
sem capas, sons ou brilhos mentirosos...
e tilintam palavras entidade abaixo
perdida que está a identidade,
o sorriso do indefinível
não ter personalidade trejeito mania...
anda mesmo chato de se repegar
o objecto no chão andante
escada rolante da derrota
caída,
recaída
artigos de excursões sem fim nem princípio, no algo enevoado horizonte do Não, o desprezo do típico como inegável paixão..
Mais distensões de mim:
Outros que tais:
um Abade às Fatias
, the bittersweet cherry flavour
, sobreposições no cenário-Hugo
not your average Lady , Scriptum Tremens , um ser buscando ser , Roman Veli
not your average Lady , Scriptum Tremens , um ser buscando ser , Roman Veli
domingo, abril 23, 2006
sexta-feira, abril 14, 2006
E procurava viajar pela aproximação conceptual daquilo cuja consistência me era estrangeira.
Depois, às vezes, deixava-me arrastar pelo vento em pretensão a tornado.
A submissa verdade em suspenso baloiçava, de um ramo antigo e débil.
Quanto mais se definia, pelo primor do hábito e da adaptação involuntária pensada, o modelo usurpava-se do objecto e desfocava-o ao dar-lhe uma resolução.
A natureza misticamente morta do passado do futuro espreitava pelas frestas da janela fotográfica e soprava, de esquecida, a brisa recém-dissolvida da claridade fresca invisível.
A reflexividade do imperceptível, antónimo de imprecisão, fazia-se sentir póstuma e analíticamente (ao não se fazer sentir, como é evidente).
O mistério ocultava-se deixando de o ser, para que mais tarde pudesse regressar em força, com os braços pendentes, brandos e desfolhados após a força da tempestade.
Um cérebro, reaproveitado corpo de reflexão recriativa, refinar-se-á contraste enquanto mente dramática de lembranças do comando disseminado posterior pela funcionalidade impaciente, sobejando na beira do prato de alma a própria, prato de propriedade no sentido possessivo da palavra, pela liberdade, fim de míngua.
Mas enquanto isso, só a antevisão entrincheirada povoará uma espécie de guerra sem oponentes, conjunto de repetições de ruídos que perderam os tiros por disparar, confusos por isso, disfarces por isso.
Depois, às vezes, deixava-me arrastar pelo vento em pretensão a tornado.
A submissa verdade em suspenso baloiçava, de um ramo antigo e débil.
Quanto mais se definia, pelo primor do hábito e da adaptação involuntária pensada, o modelo usurpava-se do objecto e desfocava-o ao dar-lhe uma resolução.
A natureza misticamente morta do passado do futuro espreitava pelas frestas da janela fotográfica e soprava, de esquecida, a brisa recém-dissolvida da claridade fresca invisível.
A reflexividade do imperceptível, antónimo de imprecisão, fazia-se sentir póstuma e analíticamente (ao não se fazer sentir, como é evidente).
O mistério ocultava-se deixando de o ser, para que mais tarde pudesse regressar em força, com os braços pendentes, brandos e desfolhados após a força da tempestade.
Um cérebro, reaproveitado corpo de reflexão recriativa, refinar-se-á contraste enquanto mente dramática de lembranças do comando disseminado posterior pela funcionalidade impaciente, sobejando na beira do prato de alma a própria, prato de propriedade no sentido possessivo da palavra, pela liberdade, fim de míngua.
Mas enquanto isso, só a antevisão entrincheirada povoará uma espécie de guerra sem oponentes, conjunto de repetições de ruídos que perderam os tiros por disparar, confusos por isso, disfarces por isso.
sábado, abril 08, 2006
E eis que, a súbito, caem panos sobre panos sobre panos, cada um de várias cores distintas das anteriores, formando padrões de confusão garrida e junta qual pilar não lato, fundamento da estética, flores para os meus ouvidos em embalos líricos de nervo esvaído, fio de aço polido da sua rigidez vibrante, braço de violino transformado em mão de alma acariciante, sonata de inconsistência absorta, mas sonata espasmo de ignorância vaga e indecisamente prazentosa em pós-explosões de paz, fulminante multicolor, torrente doce e indiscreta de lânguidas línguas de mãe hiena, perpetrando o animal em ferida de apaziguamento, a carne em beijo de antídoto metaquímico destilado do positivo no sentimento.
O que antes não fazia mal, com a intenção sôfrega, agora, em instantes ilesos, não faz mal, ao fazer toda a indiferença.
O mundo são arbítrios da ilógica, e nós seus plebeus de floresta vária.
O que antes não fazia mal, com a intenção sôfrega, agora, em instantes ilesos, não faz mal, ao fazer toda a indiferença.
O mundo são arbítrios da ilógica, e nós seus plebeus de floresta vária.
sexta-feira, abril 07, 2006
Estou, há um bocado, despegado de mim.
Irrita-me tanto, desespera-me tanto, ver emprestadas ao esquecimento todas as possíveis descobertas que houvera vindo a consolidar.
Mas a paciência é aborrecida, de tão improdutiva que é esta minha parede de tremura.
E de repente, do som de sonar mas reduzido de impacto, pelo que irritantemente insignificante na sua tortura, mergulha uma susceptibilidade interior, uma como que lágrima antiga que se acende por dentro do não existir já, nem nunca, e remexe de húmido o imenso despojo pastoso, sem contudo acordar o torpor de mim em si imerso sono.
Complicadamente me prossigo inclinação corporal na beira de uma mesa gigante e suja de restos de um almoço aflito de esmigalhadamente inconcluso, não bastante, mas igualmente imenso.
A nódoa disseca-se suja e complicada, para que eu ressurja pouco mais que nada.
Todo o compreender serve para descompreender, ao que se finge por hábitos, o enraizado do óbvio próximo por se arrancar para longe o fulcral.
Irrita-me tanto, desespera-me tanto, ver emprestadas ao esquecimento todas as possíveis descobertas que houvera vindo a consolidar.
Mas a paciência é aborrecida, de tão improdutiva que é esta minha parede de tremura.
E de repente, do som de sonar mas reduzido de impacto, pelo que irritantemente insignificante na sua tortura, mergulha uma susceptibilidade interior, uma como que lágrima antiga que se acende por dentro do não existir já, nem nunca, e remexe de húmido o imenso despojo pastoso, sem contudo acordar o torpor de mim em si imerso sono.
Complicadamente me prossigo inclinação corporal na beira de uma mesa gigante e suja de restos de um almoço aflito de esmigalhadamente inconcluso, não bastante, mas igualmente imenso.
A nódoa disseca-se suja e complicada, para que eu ressurja pouco mais que nada.
Todo o compreender serve para descompreender, ao que se finge por hábitos, o enraizado do óbvio próximo por se arrancar para longe o fulcral.
O veto da sensação (desta madrugada)
Sentir - sempre a condenação
de quem espera, em todos
os traços de momento. Lodos
que empenam a chama de dragão...
Pois tudo é aquele excesso
em que me ingresso, esforço
de monotonia em que torço
as pernas ilusórias. Não meço
a distância do arremesso - a meio
fica, com o seu valor; do divino
já nada em calor. É o teu destino,
ardente motor, arrefeceres-te freio...
Sentir - sempre a condenação
de quem espera, em todos
os traços de momento. Lodos
que empenam a chama de dragão...
Pois tudo é aquele excesso
em que me ingresso, esforço
de monotonia em que torço
as pernas ilusórias. Não meço
a distância do arremesso - a meio
fica, com o seu valor; do divino
já nada em calor. É o teu destino,
ardente motor, arrefeceres-te freio...
Fuga vertical (27.03)
O meu subtil
é o disfarce com que o mundo
no vão da escada assiste
ao desfile.
É assim vago
que vou subindo sem fundo
num topo onde nada existe,
nada afago.
Feita do resto,
a altura de que é oriundo
este mecânico despiste,
fim de incesto.
Sem qualquer queda,
o irmão exangue do mundo
que vão e terreno persiste
labareda.
O meu subtil
é o disfarce com que o mundo
no vão da escada assiste
ao desfile.
É assim vago
que vou subindo sem fundo
num topo onde nada existe,
nada afago.
Feita do resto,
a altura de que é oriundo
este mecânico despiste,
fim de incesto.
Sem qualquer queda,
o irmão exangue do mundo
que vão e terreno persiste
labareda.
quarta-feira, abril 05, 2006
Pois eis - outra vez -
o tal expectante
cheio de orações óbvias,
gramaticais
numa cadeira de cama
com a imaginação activa,
social.
Eles batem à porta,
vagabundos do espírito
reforçados de ténue
por causa do carrossel,
animalesco turbilhão plástico
eu
cheio de orações em surdina.
A medida certa
foi um charco,
os meus pés a pisá-lo;
isto, os penitentes chuviscos
em miniatura,
as minhas pernas a escorrê-los
sentadas.
Não esclareci a medida certa
da liquidez
métrica
da anti-métrica,
perdeu-se algo no espaço-entretanto,
e o eu buscá-lo é uma corrida
apertada
mas vaga e falsa de emoção,
pelo que não faz mal.
Já passei. Este é o meu pó,
à minha procura,
tossindo crónicamente a realidade
de que não existo,
por uns tempos.
Assim, existo
umas pernas hirtas
de cadeirão
e escorrego na casca de letras
da sopa de banana
vitamina,
pretensa a vital
mas vago e falso
vitral.
o tal expectante
cheio de orações óbvias,
gramaticais
numa cadeira de cama
com a imaginação activa,
social.
Eles batem à porta,
vagabundos do espírito
reforçados de ténue
por causa do carrossel,
animalesco turbilhão plástico
eu
cheio de orações em surdina.
A medida certa
foi um charco,
os meus pés a pisá-lo;
isto, os penitentes chuviscos
em miniatura,
as minhas pernas a escorrê-los
sentadas.
Não esclareci a medida certa
da liquidez
métrica
da anti-métrica,
perdeu-se algo no espaço-entretanto,
e o eu buscá-lo é uma corrida
apertada
mas vaga e falsa de emoção,
pelo que não faz mal.
Já passei. Este é o meu pó,
à minha procura,
tossindo crónicamente a realidade
de que não existo,
por uns tempos.
Assim, existo
umas pernas hirtas
de cadeirão
e escorrego na casca de letras
da sopa de banana
vitamina,
pretensa a vital
mas vago e falso
vitral.
segunda-feira, abril 03, 2006
Não consigo chorar.
Os meus olhos, árida raiva,
um deserto a ferver.
Cubro o mundo de dôr
num bunker meu,
só meu,
e refugio-me de vós todos,
formas encobertas, passantes,
bizarras;
dos capuzes sem feitiçaria
com que visto
as vossas cabeças em forma de capuz
com que passam ainda.
O meu refúgio é não conseguir
chorar.
Tento pôr os olhos em palavras,
mas engano-me, toldado.
O meu refúgio é doer absurdamente
nos olhos pretos
a recordação de saber chorar,
e é um refúgio que me tolda o ser,
e há também quem lhe chame morte,
antecipadamente.
Os meus olhos, árida raiva,
um deserto a ferver.
Cubro o mundo de dôr
num bunker meu,
só meu,
e refugio-me de vós todos,
formas encobertas, passantes,
bizarras;
dos capuzes sem feitiçaria
com que visto
as vossas cabeças em forma de capuz
com que passam ainda.
O meu refúgio é não conseguir
chorar.
Tento pôr os olhos em palavras,
mas engano-me, toldado.
O meu refúgio é doer absurdamente
nos olhos pretos
a recordação de saber chorar,
e é um refúgio que me tolda o ser,
e há também quem lhe chame morte,
antecipadamente.
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